Freeport é a história de um gigantesco e malcheiroso caixote do lixo a céu aberto, plantado em plena reserva natural de aves junto ao rio Tejo, que um dia, por artes bem terrenas e após muitas complicações, virou super-centro comercial de lojas retalhistas de marcas de luxo. Mas não é só... Freeport é também uma das histórias mais nebulosas da mais recente investigação policial portuguesa. Há anos que a Polícia Judiciária, magistrados e técnicos, tentam, a todo o custo, vasculhar cerca de 200 contas bancárias, muitas delas pertencentes a empresas de nomes estranhos e sedeadas em quartos de hotel em paraísos fiscais internacionais, por onde terão passado dinheiros pagos pela empresa Freeport Leisure entre 2001 e 2004. O enredo desta história inclui uns ingleses apostados em investir milhões numa terra pobre onde nada havia e ninguém ia; uns consultores locais que lhes prometem facilidades do outro mundo; uns autarcas de braços abertos à espera de uma enchente de turistas e de uma abençoada chuva de impostos nos cofres camarários; uns ambientalistas chatos a defender a passarada e a ameaçar fazer queixinhas aos eurocratas de Bruxelas; uns políticos e uns técnicos nacionais que só criam entraves burocráticos e não andam para a frente com o projecto; uma reunião relâmpago em que tudo fica miraculosamente desbloqueado; e uma decisão técnico-política assumida durante um Governo de gestão, a três dias de o partido que o sustenta perder as eleições. Decisão esta que se transformou no maior pesadelo político alguma vez vivido por um primeiro-ministro em Portugal.
Formato 15,0cmx23,0cm / 232 páginas / Capa mole com badanas, verniz UV e alto relevo localizado / 1ª edição - Setembro 2009 / ISBN 978-989-655-023-3
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JOÃO BÉNARD GARCIA
Nasceu em Lisboa, em 1969. É jornalista há 15 anos. Licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa e pós-graduou-se em Direito da Comunicação pela Universidade de Coimbra. Ao longo da sua carreira profissional trabalhou sempre na imprensa escrita e nos jornais "Diário de Notícias", "A Capital", "24horas", "Tal & Qual", e regressou novamente ao "24horas", jornal onde permanece desde Março de 2002, curiosamente, o mês e o ano do momento histórico que originou quase todos os factos descritos neste livro. Considerado pelos seus pares como um repórter TT (Todo-o-Terreno), foi na experiência feita de trabalho de rua em áreas do jornalismo tão díspares como crime e social, política e sociedade, informação local e educação, que forjou a sua forma combativa, por vezes incómoda e nunca resignada, de fazer jornalismo. Acreditando sempre que, mais do que uma profissão, o jornalismo é uma missão e a verdade tem de ser revelada... doa a quem doer. (Setembro de 2009)